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30 de maio de 2006
São Paulo, Brasil
O mercado de bebidas, no Brasil, é analisado pela ACNielsen considerando-se duas Cestas: Alcoólicas e Não Alcoólicas. Essa premissa é importante para situar os números destes mercados, lembrando que o varejo “enxerga” a categoria Cervejas dentro da Cesta de Bebidas Não Alcoólicas. Porém, as análises realizadas para esta edição da Revista Tecnobebidas foram baseadas nos resultados das categorias, a fim de dar uma visão de cada mercado.
Antes de entrar em cada categoria, em cada destaque, é bom considerar que a Cesta de Bebidas Não Alcoólicas cresceu acima da média do total de Cestas da ACNielsen, crescimento este puxado principalmente pelo desempenho da categoria Cervejas, que cresceu 6,5% em 2005 frente à 2004, enquanto a Cesta de Bebidas Alcoólicas permaneceu estável.
As vedetes do espetáculo
Além das Cervejas, a categoria Bebidas à Base de Soja apresentou crescimento recorde em 2005 versus 2004. Performances positivas tiveram também outras categorias, como Suco Pronto para Consumo e Água Mineral, ao contrário de Refrigerantes, que perde importância para as bebidas não carbonatadas.
Neste palco, Refrigerantes foi a categoria que apresentou o maior número de lançamentos em 2005. Para a ACNielsen, lançamentos são todos os novos itens lançados, podendo ser novas embalagens, novos sabores e não necessariamente novos produtos. Mesmo com estes lançamentos, a categoria Refrigerantes fechou o ano com um crescimento abaixo do total da Cesta de Não Alcoólicos, tendo um final menos feliz do que Bebidas à Base de Soja e Sucos Prontos para Consumo, que foram as verdadeiras vedetes deste espetáculo. Também é bom considerar que estas categorias (Bebidas à Base de Soja e Sucos Prontos para Consumo) ainda apresentam grande potencial de crescimento se considerarmos seu nível de maturidade e consumo, ainda bastante inferior a Refrigerantes.

Porém, há um local onde a categoria Refrigerantes deu um show de consumo: o Nordeste. Lá, esta categoria cresceu 10%, impulsionando a Cesta e seguindo a tendência de outras categorias auditadas pela ACNielsen.
O consumo destas categorias foi analisado nos domicílios brasileiros, comparando-se o primeiro e o segundo semestres de 2005. O que pudemos constatar é que os Refrigerantes aumentaram um pouco sua penetração nos lares brasileiros no segundo semestre, passando de 95,4 % para 96,5%. Movimento contrário ao de Água Mineral, que caiu um pouco em penetração nos lares nestes semestres, de 42,9% para 40,2%, mas que possui um nível de consumo dentro do lar quase igual ao de Refrigerantes.
Estamos falando de um universo de 29 milhões e meio de lares brasileiros, que são acompanhados pela ACNielsen através do maior Painel de Consumidores da América Latina, com 8.700 lares visitados quinzenalmente por pesquisadoras. Estes números são relevantes para comprovar que o mercado de bebidas no Brasil se apresenta bastante aquecido e tem se preocupado em conhecer cada vez mais os passos do varejo, das regiões geográficas e, principalmente, dos hábitos dos consumidores. Somente com o conhecimento mais amplo destas variáveis é que as indústrias terão capacidade de desenvolver novos produtos, novos nichos, atingir novos consumidores, conquistar regiões pouco exploradas e aprimorar suas estratégias de distribuição e propaganda.
Alcoólicas: sofrendo com a falta de espectadores
Enquanto os produtos de consumo de massa registraram crescimento de 4,8% em 2005 e a Cesta de Bebidas Não Alcoólicas cresceu acima deste mercado total, com 5,4%, a situação é bem diferente para as Bebidas Alcoólicas.
O ano de 2005 registrou uma estabilidade preocupante para estas categorias, em relação a 2004. A Cesta de Bebidas Alcoólicas ficou praticamente estável, com queda de 0,3% nos volumes comercializados. Este resultado negativo foi impulsionado por algumas categorias, como Aguardente de Cana, por exemplo, a maior queda da Cesta. Nota-se que esta categoria praticou aumento de preços, impactando diretamente o bolso do consumidor, provavelmente um consumidor de menor poder aquisitivo. Esta conclusão é possível quando vemos, por exemplo, que a categoria Vodca cresceu 3,2%, mesmo tendo praticado aumento de preços muito maiores que Aguardente de Cana. Além das ações promocionais e de mídia, as Vodcas certamente têm consumidores posicionados nas classes sociais mais privilegiadas financeiramente.

O mercado de bebidas movimenta milhões de Reais no Brasil anualmente e, para a ACNielsen, considerando as Cestas de Alcoólicas e Não Alcoólicas, representa 32% do total de faturamento dos produtos de consumo de massa auditados pela ACNielsen. A representatividade deste mercado ganha proporções ainda maiores quando pensamos na geração de empregos, diretos e indiretos, que ele movimenta. É inegável a contribuição que o mercado de bebidas dá ao País, empregando pessoas que levam até os brasileiros os vários tipos de bebidas existentes.
Num estudo global desenvolvido pela ACNielsen em mais de 59 países, a tendência que se percebe em bebidas é a busca por saudabilidade e praticidade. As bebidas à base de soja são as impulsionadoras do crescimento em todo o mundo, a taxas de 31% no total dos países analisados. Em valores, as Bebidas à Base de Soja foram responsáveis pelo incremento de 244 milhões de Euros para a categoria em 2004 nestes países do estudo. Os dois países com o maior valor de vendas para esta categoria, Japão e EUA, apresentaram crescimento de dois dígitos, com aumentos significativos nas vendas: +71% no Japão e +17% nos Estados Unidos. Ainda no cenário internacional, vale ressaltar que, apesar de não serem tendências globais, outras categorias apresentaram crescimentos localizados. Por exemplo, o mercado espanhol de Cervejas foi impulsionado pelo crescimento da considerada ‘mais saudável’ cerveja sem álcool.
Cervejas: um show à parte
Falando em cervejas sem álcool, no Brasil este é ainda um segmento de pouca expressão dentro da categoria, representando menos de 1% do volume de cervejas comercializado no País. Porém, olhando o a categoria Cerveja de forma ampla, que apresentou crescimento em volume de 6,5% em 2005 frente a 2004 e movimentou aproximadamente 6.200.000.000 litros, conseguimos justificar tal crescimento ao aumento da renda média do brasileiro, aliado a fatores de clima e forte atuação dos fabricantes em ações de marketing.
A conclusão que podemos chegar, como analistas do mercado de bebidas há 35 anos no Brasil, é que este mercado encontra-se bastante movimentado e com muitas oportunidades. Portanto, indústria e varejo precisam utilizar todas as ferramentas de marketing para garantir e suas participações de mercado. Praticar estratégias de preços sem pensar em ações promocionais ou melhoria na distribuição não adianta. Como também não adianta apenas se focar na distribuição de produtos sem considerar o bolso do consumidor, cada vez mais disputado. O mercado de bebidas no Brasil tem potencial de crescimento imenso, pois somos um País tropical e ainda jovem. Conquistar o hábito destes consumidores será fundamental para os próximos anos, quando o Brasil terá sua população com mais de 50 anos de idade avançando.
* Daniel Asp Souza é Gerente de Atendimento da ACNielsen, especialista no mercado de bebidas, tem sob sua responsabilidade as análises do setor para importantes indústrias clientes da ACNielsen neste mercado. Formado em Administração de Empresas pela PUC/RS ,com MBA em Marketing na ESPM e MBA em Gestão Executiva pela Fia – Fundação Instituto de Administração -, Daniel está na ACNielsen desde Janeiro de1988.
Acerca de ACNielsen
A ACNielsen, uma empresa do Grupo VNU, é a empresa líder mundialmente em informações mercadológicas. Atuando em mais de 100 mercados, a ACNielsen fornece análises de mercado e sua dinâmica, e atitudes e comportamento do consumidor. Nossos clientes apóiam-se em nossas pesquisas de mercado, nossas ferramentas de análise e serviços profissionais para entenderem o desempenho competitivo, descobrir novas oportunidades e aumentar a rentabilidade de suas campanhas de marketing e de vendas. Para mais informações sobre a ACNielsen no Brasil, visite o site www.acnielsen.com.br e para saber mais sobre a ACNielsen no mundo, visite o site www.acnielsen.com
A Vantagem VNU
A VNU é uma companhia global de informação e mídia com posicionamento líder no mercado e marcas reconhecidas em informações de marketing (ACNielsen), medição e informações de mídia (Nielsen Media Research) e informações comerciais (Billboard, The Hollywood Reporter, Computing, Internedias). A VNU está presente em mais de 100 países, com sede em Haarlem, Holanda, e Nova York, Estados Unidos. A companhia conta com 38 mil associados. Em 2004, seus rendimentos totais superaram €3.3 bilhões. A VNU opera na Bolsa de Comércio Euronext Amsterdã (ASE:VNU). Para maiores informações, visite www.vnu.com
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